Conhecidas como RPPN, reservas particulares já são 55% do número de Unidades de Conservação (UCs) do Brasil

 

Entre os dias 26 e 29 de julho, Florianópolis recebe o V Congresso Brasileiro de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (VCBRPPN). Realizado pela RPPN Catarinense com apoio da Confederação Nacional das RPPNs (CNRPPN), o evento reunirá cerca de 300 pessoas entre proprietários e gestores de reservas, gestores públicos, ONGs, empresas, entre outros. O objetivo é debater a importância do setor privado à conservação da biodiversidade e o futuro da única categoria de Unidade de Conservação (UC) do Brasil de iniciativa particular, as RPPNs. O evento acontece no Costão do Santinho Resort, proprietário da RPPN Morro das Aranhas.
 
O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Carneiro, participará do evento. Segundo ele, o Brasil está conseguindo ampliar o número de áreas protegidas do Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC) pelo ato voluntário de proprietários de áreas preservadas. "Reconhecemos a importante contribuição dos proprietários de terra na conservação e presevação de vários biomas no país", ressalta Carneiro. Atualmente, são mais de 673 RPPNs federais, que representam aproximadamente 500 mil hectares de áreas protegidas. Somadas às reservas estaduais e municipais, o total fica em cerca de mais de 1.400 reservas e 750 mil hectares de áreas sob proteção.
 
Foto: ICMBio
 
Um dos mecanismos mais efetivos para garantir a continuidade dos benefícios oferecidos por florestas e ambientes marinhos e costeiros, está na criação, manutenção e gestão de Unidades de Conservação (UCs). No Brasil, devido a dificuldade em se expandir o número de áreas públicas protegidas – por conta de inúmeros conflitos sobre o uso da terra – as RPPNs são ótimas estratégias de conservação e oportunidade de engajamento da sociedade na proteção dos recursos naturais. Especialmente para a Mata Atlântica, as reservas privadas têm uma importância enorme, visto que 80% das áreas remanescentes dessa floresta estão em mãos de proprietários particulares. 
 
Além de Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, diversos especialistas da ONG participam do Congresso, como Erika Guimarães, bióloga da Fundação e especialista em Parques e Reservas e a consultora Monica Fonseca, da comissão organizadora do evento, que falará sobre o papel das prefeituras municipais no reconhecimento e apoio as RPPNs.
 
Entre outros temas debatidos no encontro estão políticas governamentais de conservação, captação de recursos e incentivos, sustentabilidade econômica, a situação com herdeiros, entre outros. Será debatida também a tramitação do PL 1548/15 que trata da criação e gestão de RPPNs e de novos incentivos para a categoria. O Congresso ainda conta com a participação do cantor Ney Matogrosso, proprietário de uma reserva no Rio de Janeiro. 
 
 
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